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    Ciúmes teriam provocado morte de mulher deixada na Praça do Trabalhador, em Goiânia

    Polícia desvenda crime 33 dias após corpo ter sido deixado na Praça do Trabalhador, em Goiânia

    Era noite de segunda-feira, no dia 29 de outubro quando uma caixa de papelão e uma motocicleta foram deixadas no meio da Praça do Trabalhador, no Setor Norte Ferroviário, em Goiânia. Um pouco de sangue escorreu da caixa e, no dia seguinte, quando os trabalhadores passavam pelo local perceberam a estranha situação. Com mais de duas horas pela espera da polícia, populares começaram a abrir a caixa. Uma coberta, um lençol e amarrações por todo o corpo feitas com fios de microfone. Era Géssika Sousa dos Santos, de 27 anos, morta a facadas, pedradas na cabeça e sinais de possível violência sexual. Acima do corpo e da motocicleta, uma câmera monitorada pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de Goiás (SSP-GO) poderia ter registrado a ação do suspeito, mas estava desligada.

    De acordo matéria do Jornal O Popular, na manhã desta segunda-feira (3), 33 dias após o crime, a Delegacia Estadual de Investigações de Homicídios (DIH) prendeu o suspeito do crime, que confessou o assassinato. Marcos Mendes de Matos Valente, de 25 anos, disse que conheceu Géssika por meio de um aplicativo de relacionamento e os dois estariam no segundo encontro quando a morte aconteceu. Ele foi detido em casa, no Setor Leste Universitário, enquanto dormia e um colega que dividia o aluguel da residência também foi levado para a delegacia. O nome do segundo suspeito foi preservado porque ele não havia sido ouvido formalmente pela Polícia Civil. A prisão de ambos temporária, de 10 dias e Marcos será indiciado por feminicídio com pena de 12 a 30 anos de prisão.

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    No dia em que o corpo foi encontrado, uma moradora de rua disse à polícia que Géssika teria sido deixada no local por volta de meia-noite. Além da motocicleta da vítima, a testemunha afirmou que que viu um carro branco e dois suspeitos. O colega de Marcus, que divide a casa com ele há mais de um ano possui um HB20 de cor branca, que foi encaminhado para perícia. Ao O Popular, o companheiro de residência de Marcos afirma que não sabia do crime e que não imaginava isso do colega. “Eu deixo meu carro na garagem e vou para a faculdade e às vezes para o trabalho de ônibus. Neste dia em específico saí de casa cedo e só voltei depois do trabalho, após 21 horas”, afirma. Sem câmeras, não foi possível confirmar as versões. Agora, as investigações continuam para verificar a participação do segundo suspeito no crime. Para a Polícia, Marcos afirmou que levou o corpo de Géssika na motocicleta e que a caixa estava amarrada na garupa com uma corda.

    Motivação

    Delegada responsável pelo caso, a titular da DIH, Magda D’Ávila explica que suspeito e vítima se conheciam há uma semana e que já haviam se encontrado uma vez. No dia do crime, em 29 de outubro, Géssika teria saído de casa pela manhã e disse que levaria a irmã a uma entrevista de emprego. “Ela teria chegado à casa de Marcos por volta de 9 horas. Ele conta que os dois tiveram relações sexuais e que por volta de 11 horas começaram a discutir. A motivação, segundo ele, foi ciúmes porque ela teria visto mensagens de outras mulheres no celular”, explica Magda.

    Marcos afirma que Géssika queria ser única e que o ameaçou. “Ela disse que ia contar para o marido que eu a tinha estuprado e eu fiquei com medo”, afirma. Em depoimento à delegada, ele afirmou que deu um murro no nariz da vítima logo após ela quebrar o celular dele na parede. Na sequência, Marcos teria golpeado Géssika com uma faca e também utilizou uma pedra, que servia de peso de porta para golpeá-la na cabeça. Em tentativa de se defender, ela teve a falange do indicador cortada.

    Sobre o fato de a ter colocado em praça pública, Marcos Mendes afirma que queria que Géssika fosse encontrada e sepultada pela família. “Eu sabia que iam me encontrar. Eu levei ela na própria moto, coloquei cordas amarrando e tinha câmeras perto da minha casa e também perto de onde a deixei. Pensei em me matar, pensei em ligar para a Polícia, sabia que iam me encontrar e prometi que quando isso acontecesse, eu ia falar a verdade. Foi isso que eu fiz hoje. Eu acabei com a vida dela e também com a minha”, finalizou.

    Na casa de Marcos, além de manchas de sangue humano nas paredes de três cômodos, que foram comprovadas por perícia, a DIH localizou a possível pedra utilizada no crime. Também encontrou uma fronha de travesseiro com a mesma estampa do lençol em que a mulher estava enrolada e a mochila da Géssika com documentos pessoais e chave da moto. O amigo de Marcos disse que não entendeu as manchas de sangue e achou que eram apenas desgaste da parede, ou mofo. “Não estava vermelho, não tinha como saber que era sangue. Marcos sempre foi brincalhão e calmo, não tinha como imaginar. Ele precisa pagar pelo que fez”, diz.

    A delegada Magda diz que este não foi o único suspeito identificado e que na noite anterior ao crime, Géssika teria se encontrado com outro homem que também conheceu no aplicativo. A polícia chegou a ir à casa dele, mas a participação foi descartada. Géssika era casada e mãe de duas crianças. Uma vizinha chegou a dizer que ela teria testemunhado um crime e que poderia ter sido morta por isso. A informação foi desmentida pela delegada que afirmou não ter registros da vítima como testemunha de crime.

    A mãe de Géssika foi procurada mas afirmou não estar pronta para falar sobre o caso.