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    Documentário investiga pergunta de Toniquinho para JK em Jataí que mudaria história do País

    “Foi a própria história que me recomendou fazer a pergunta. A ideia de mudar a capital era uma ideia centenária, da era Tiradentes. Naquele tempo, em 1823, José Bonifácio já tinha sugerido a mudança da capital”, reflete Toniquinho
    Por/Clenon Ferreira/O Popular

    Chovia muito quando Juscelino Kubitschek chegou até o local onde realizaria o primeiro comício de sua campanha, em 1955, na cidade de Jataí, no Sudoeste Goiano. A cerimônia precisou ser transferida para um galpão improvisado, em um ambiente mais íntimo. O então candidato à Presidência da República já tinha criado todo o seu programa de governo, com 30 metas, até que recebeu uma pergunta que mudaria para sempre sua política governamental. “Já que Vossa Excelência anuncia o propósito de cumprir a Constituição, queria saber se, eleito fosse, construiria a capital do Brasil no Planalto Central?”, indagou Antonio Soares Neto, o Toniquinho de Jataí, na época com 29 anos.

    Os ecos da questão agora podem ser vistos no curta-metragem A Pergunta que Mudou a História do País, dirigido pelo jornalista e cineasta Edson Luiz de Almeida, que estreia hoje no Instituto Histórico e Geográfico de Goiás (IHGG). O filme chega em boa hora: além da exibição da produção, Toniquinho, que mora em Goiânia há mais de 40 anos, será empossado como sócio correspondente do IHGG. “Esse episódio de Jataí é um dos grandes capítulos da nossa história e um marco para a autoestima dos goianos”, reflete Edson.

    Na época em que Toniquinho fez a pergunta, JK reconheceu, de antemão, que não havia pensado no assunto até o momento da indagação, de acordo com o diretor. O candidato à Presidência promovia seu primeiro comício em Jataí porque queria conhecer a situação social do interior do País, além de a cidade goiana ser o maior reduto do Partido Social Democrático (PSD), o partido de JK, com liderança política do médico Serafim de Carvalho, colega de faculdade de Juscelino em Belo Horizonte. “Desde criança escuto essa história e tinha muita curiosidade sobre aquele dia. Levar isso para os cinemas é apresentar um marco histórico que todos devem conhecer”, pontua o cineasta.

    Com depoimentos de Toniquinho, hoje com 92 anos, e de sua esposa Nelita Vilela, do advogado Francisco Garcia, do ex-governador de Goiás Maguito Vilela e trechos do documentário JK Brasília, a Capital do Futuro, o filme apresenta o local por onde JK percorreu em Jataí, imagens de Brasília e o cotidiano do protagonista. A obra também investiga o porquê da pergunta naquele momento em específico. “Foi a própria história que me recomendou fazer a pergunta. A ideia de mudar a capital era uma ideia centenária, da era Tiradentes. Naquele tempo, em 1823, José Bonifácio já tinha sugerido a mudança da capital”, reflete Toniquinho.

    Cinco anos e 17 dias depois da pergunta de Toniquinho, Brasília seria inaugurada como a cidade do futuro, símbolo máximo da modernidade e progresso da época, em 1960. “Eu tinha acabado de estudar Direito em Goiânia e havia lido muito a Constituição. Quando fiz a pergunta, percebi que Juscelino se assustou, surpreso. Mas logo depois ele respondeu que sim, que a construção da nova capital seria um de seus objetivos principais, caso fosse eleito. Dito e feito”, reflete Toniquinho. (Foto: Marcello Dantas/O Popular)