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    Filme com Gentili é agressivo, escatológico e politicamente incorreto

    Não adianta discutir o quanto de originalidade possa existir nessa proposta, porque o projeto afunda num filme indigente

    THALES DE MENEZES – “Os Exterminadores do Além Contra a Loira do Banheiro” não é engraçado. É agressivo, rasteiro, escatológico e politicamente incorreto. Poderia ser tudo isso e ainda assim vingar como comédia, mas simplesmente não tem graça.

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    O segundo filme estrelado por Danilo Gentili com direção de Fabrício Bittar é mais ambicioso que o anterior, “Como Se Tornar o Pior Aluno da Escola”. Sua inspiração é um cinema trash sangrento trintão, universo de filmes como “Evil Dead” (1981) e “Re-Animator” (1985), no qual é inserida uma paródia esquálida do blockbuster “Os Caça-Fantasmas” (1984).

    Não adianta discutir o quanto de originalidade possa existir nessa proposta, porque o projeto afunda num filme indigente.Como representante do cinema de terror, “Os Exterminadores do Além Contra a Loira do Banheiro” é a encarnação do mal. É mal escrito, mal dirigido e mal interpretado.

    O quarteto de caçadores de assombração é formado por Gentili e mais dois nomes de fama no stand-up, Murilo Couto e Léo Lins, além de Dani Calabresa, a única integrante que sabe atuar, embora não tenha chances de tirar o filme da mediocridade.

    O grupo, apenas uns picaretas que inventam histórias assombradas num canal do YouTube, é contratado pelo diretor de uma escola em que os alunos acreditam na presença da loira do banheiro.

    Para capturar essa lenda urbana brasileira, a equipe vai passar uma noite no colégio, acompanhada apenas do diretor, um segurança, alguns professores e um garoto nerd intrometido.

    A loira realmente existe e passa a perseguir todo mundo. Cabeças explodem e o sangue cobre as paredes do lugar, enquanto os personagens parecem disputar quem tem as falas mais idiotas e as reações mais estúpidas.

    A loira existe, mas o roteiro não. A sequência de ações não faz o menor sentido, como se todo o elenco estivesse improvisando o que dizer no momento seguinte.

    Lins e Couto têm bom histórico no stand-up, mas não são atores. Gentili supera a todos. Não tem o menor talento para atuar. Repete suas falas como um aluno de 12 anos numa peça da escola. Um aluno de 12 anos sem talento para o teatro.

    O humor da produção tem o nível intelectual dos piores momentos dos Trapalhões. Mas com um problema sério. Se a turma do Didi era bobinha e inofensiva, a do Gentili é extremamente desagradável.

    O filme faz piadas (ruins) com necrofilia, mal de Parkinson, racismo, pedofilia, idosos e estupro. A escatologia não tem freio. Entre tantas, duas cenas estão abaixo de qualquer crítica. Um personagem luta contra um feto possuído por um espírito maligno, numa sequência que lida com masturbação e vômitos, enquanto outro precisa enfrentar um cocô que ganha vida própria e salta do vaso sanitário para atacá-lo.

    A discussão sobre limites do humor é extensa e merece atenção. Mas não vale associar esse debate a um produto tão fraco.

    “Os Exterminadores do Além Contra a Loira do Banheiro” tem um caráter nocivo. Porque muita gente pode ver essa coisa e achar que é assim que se faz cinema. Só resta torcer para que nenhum jovem da plateia decida fazer filmes inspirado nesse tremendo equívoco.

    OS EXTERMINADORES DO ALÉM CONTRA A LOIRA DO BANHEIRO

    Elenco: Danilo Gentili, Léo Lins, Murilo Couto, Dani Calabresa

    Direção: Fabrício Bittar

    País Brasil, 2018

    Avaliação: Ruim

    Com informações da Folhapress