• Publicado em

    Polícia investiga assassinato de homem que pode ter comandado rebeliões em presídios de Goiás

    Na manhã desta segunda (8/1), Márcio José de Alcântara Theodorelli e uma mulher que não foi identificada foram encontrados morto no Pedregal (GO). Ele teria ligações com o PCC

    De acordo o site Metrópoles a Polícia Civil de Goiás investiga a morte de um casal no Novo Gama (GO), cidade do Entorno do DF localizada a 40 quilômetros de Brasília. Uma das vítimas seria Márcio José de Alcântara Theodorelli, 38 anos. Ele teria ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e passagens pela polícia em São Paulo, berço da organização criminosa, por homicídio, roubo, tráfico de drogas e formação de quadrilha entre 2002 e 2013. Também é suspeito de ter comandado rebeliões nos presídios paulistas em 2006.

    O assassinato ocorreu no mesmo dia em que a presidente do Supremo Tribunal Federal (STJ) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministra Cármém Lúcia desembarcou em Goiás para debater a crise no sistema prisional no estado.

    A visita ocorre após três rebeliões em Aparecida de Goiânia e a fuga de dez presos na cadeia de Luziânia, filmada, por meio de um celular, de dentro da unidade pelos próprios detentos. Eles serraram as grades e pularam o muro do Centro de Inserção Social (CIS) no sábado (6/1).

    O corpo com os documentos de Theodorelli foi encontrado dentro de uma loja de celular no Pedregal. Do lado de fora, havia uma mulher morta, ainda não identificada. Os dois foram alvejados e morreram na hora. Um suspeito já foi detido e deve prestar depoimento na delegacia da região. Outro envolvido está foragido. Uma das linhas de investigação, confirmada a identidade do homem, é que o crime pode ter relação com a guerra de facções, mesmo motivo que teria causado as rebeliões em Aparecida de Goiânia.

    REPRODUÇÃO

    Reprodução

    Corpo de uma mulher foi encontrado do lado de fora da loja de celulares

    Se for confirmada a identidade de Theodorelli, não será a primeira vez que um criminoso renomado escolheu a região vizinha à capital do país para se estabelecer. Em agosto do ano passado, em Luziânia, na região do Jardim Ingá, foi preso Nilson Roger da Silva de Freitas, o Roger do Jacarezinho. Ele levava uma vida de luxo e tinha participação ativa na igreja evangélica que frequentava com a mulher e o filho de oito anos.

    Acusado de chefiar o tráfico de drogas no bairro Jacarezinho, na Zona Norte da capital carioca, Roger estava foragido desde 2010 e era conhecido por seus métodos violentos. Seria, ainda, grande articulador de diversos ataques a policiais das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) do Rio de Janeiro. Segundo a Polícia Civil do DF, que o prendeu em parceria com a corporação carioca, ele estava na cidade há cinco anos e morava em uma mansão de luxo, com telões, hidromassagem, cozinha planejada, piscina, churrasqueira e um carro avaliado em R$ 80 mil na garagem.

    Rixa entre facções
    Goiás vive uma das piores crises no sistema prisional. O primeiro motim ocorreu em Aparecida de Goiânia em 1º de janeiro deste ano. Conforme a Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária de Goiás (SSPAP-GO), presos da ala C invadiram as alas A, B e D. A motivação dos ataques seria uma rixa entre grupos criminosos. Nove detentos morreram carbonizados – deles, dois foram decapitados –, 14 ficaram feridos e mais de 80 continuam foragidos.

    A insurreição ocorreu exatamente um ano após a rebelião no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus. Na ocasião, mais de 60 detentos foram executados em um confronto entre as facções PCC e Família do Norte. O episódio deu início a uma crise penitenciária nacional, que culminou em rebeliões em Roraima e no Rio Grande do Norte, conforme o Metrópoles mostrou na reportagem especial “As faces das chacinas no cárcere”.

    Também no primeiro dia de 2018, as autoridades de Goiás registraram início de revoltas em outras duas cidades do estado: Santa Helena e Rio Verde. Na terça-feira (2), dois servidores do sistema penitenciário foram assassinados a tiros em Anápolis (GO).

    O Sindicato dos Servidores do Sistema de Execução Penal de Goiás (Sinsep-GO) chegou a alertar sobre a possibilidade de novos motins em outras unidades prisionais da região. Entre os presídios em risco, segundo a entidade, dois estão no Entorno do DF: o de Luziânia (GO) e o do Novo Gama (GO).

  • Participe do debate em nosso grupo no Facebook