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    Recorde na produção de soja impulsionou agricultura em 2014, aponta IBGE

    Jataí foi o principal produtor goiano de milho e o segundo do Brasil, tendo produzido 1,5 milhão de toneladas, 10,6% a mais que na safra anterior.

    A soja, o café arábica e o algodão herbáceo foram as culturas que mais contribuíram para o aumento do valor de produção. Das 64 culturas investigadas, 39 apresentaram aumento na produção e 25, queda. Além da soja (mais 5,0 milhões de toneladas), destacaram-se a mandioca (mais 1,8 milhão de toneladas), o algodão herbáceo (mais 820 mil toneladas) e o trigo (mais 523 mil toneladas).

    Prejudicada pela estiagem em 2014, a cana-de-açúcar (-4,0%) destacou-se entre os produtos em queda. São Desidério (BA) liderou o ranking nacional do valor da produção (R$ 2,3 bilhões), tendo o algodão herbáceo como principal produto. A soja foi o principal produto de 41 dos 50 municípios com maiores valores de produção, com destaque para Sorriso (MT), que, com valor de produção de R$ 2,2 bilhões, ocupou a segunda colocação no ranking dos municípios.

    Essas informações estão na Pesquisa da Produção Agrícola Municipal (PAM) 2014, que investiga 64 produtos da agricultura nacional e tem resultados para Brasil, grandes regiões, estados e municípios.

    Todas as grandes regiões registraram aumentos no valor da produção agrícola, em 2014, sendo os maiores no Nordeste (19,5%), Centro-Oeste (12,4%) e Norte (11,7%), seguidos por Sul (4,1%) e Sudeste (3,1%). Com isso, o valor da produção chegou a R$ 71,5 bilhões (Sul); R$ 69,2 bilhões (Sudeste); R$ 64,2 bilhões (Centro-Oeste); R$ 33,3 bilhões (Nordeste); e R$ 13,0 bilhões (Norte).

    Considerando as Unidades da Federação, São Paulo manteve a hegemonia, embora a participação no valor de produção tenha caído de 16,0% para 14,8%, entre 2013 e 2014, em função das altas temperaturas e baixas precipitações, que prejudicaram a cana-de-açúcar. Na segunda posição, ficou Mato Grosso (13,5%), seguido por Paraná (12,9%), Rio Grande do Sul (12,2%) e Minas Gerais (10,3%).

    O valor da produção agrícola de São Paulo totalizou R$ 37,2 bilhões, em 2014, e o principal produto foi a cana-de-açúcar (57,5%), seguida pela laranja (9,8%), soja (4,6%), tomate (4,5%) e café arábica (4,3%). Em Mato Grosso, a cultura temporária tem participação de 99,1% nos R$34,0 bilhões, destacando-se a soja (69,6%), o algodão herbáceo (11,3%), o milho em grão (10,9%), a cana-de-açúcar (3,3%), o arroz (1,1%) e o feijão (1,1%).

    Nos 50 principais municípios produtores foi registrada queda no valor total de produção cinco municípios: -22,6% em Cristalina (GO), -3,6% em Jataí (GO), -25,7% em Chapadão do Céu (GO), -13,7% em Tibagi (PR) e -13,6% em Perdizes (MG).

    Em 2014, foi registrada safra recorde de cereais, leguminosas e oleaginosas (grãos), totalizando 194,6 milhões de toneladas e superando em 3,5% a obtida em 2013 (188,1 milhões de toneladas), com valor da produção atingindo o mais alto patamar: R$ 136,7 bilhões. A área plantada foi de 57,4 milhões de hectares (6,9% maior) e a área colhida foi de 56,7 milhões de hectares (7,5% maior).

    Produção de soja cresce 6,2%, mas rendimento cai 2,1%

    O crescimento da produção nacional de soja foi de 6,2%, totalizando 86,8 milhões de toneladas, com rendimento médio de 2.866 kg/ha, 2,1% menor que o da safra anterior. Em 2014, manteve-se o ranking entre os principais produtores de soja: Mato Grosso (30,5%) liderou a produção, seguido por Paraná (17,2%), Rio Grande do Sul (15,0%), Goiás (10,3%), Mato Grosso do Sul (7,3%) e Minas Gerais (3,9%).

    A soja foi o principal produto de 41 dos 50 municípios com maiores valores de produção agrícola, com destaque para Sorriso (MT), onde atingiu R$ 1,7 bilhões, Campo Novo do Parecis (MT), Nova Mutum (MT), Sapezal (MT) e Formosa do Rio Preto (BA).

    Mato Grosso é o maior produtor de algodão herbáceo

    Com área colhida de 1,1 milhão de hectares, foram produzidas no país 4,2 milhões de toneladas de algodão, que representou crescimento de 24,0% no valor da produção frente a 2013. O Mato Grosso manteve a larga vantagem na produção (56,3%), totalizando 2,4 milhões de toneladas, com crescimento de 27,7% do valor, em relação à safra de 2013.

    A Bahia deteve, em 2014, uma participação de 27,5% na produção brasileira de algodão, com São Desidério sendo o maior produtor nacional (10,9%). Com isso, o município liderou o ranking nacional do valor da produção agrícola de 2014 (R$ 2,3 bilhões), tendo o algodão herbáceo como seu principal produto (53,4%). Foram produzidas, no estado, 1,2 milhão de toneladas, em uma área de 341 mil hectares. Dentre os 20 principais municípios produtores, 11 são de Mato Grosso, onde foram produzidas 1,6 milhões de toneladas, em uma área de 413 mil hectares, com destaque para Sapezal. Goiás foi o terceiro maior produtor de algodão no país. Foram colhidas 267,2 mil toneladas, 30,2% a mais que em 2013. A área ocupada pela cultura foi de 68,1 mil hectares. O principal produtor no estado foi Chapadão do Céu, que produziu 69,0 mil toneladas, ocupando a 16ª posição no ranking.

    Região Sul concentra produção de arroz

    A produção nacional de arroz cresceu 3,3%, em 2014, ficando em 12,2 milhões de toneladas, enquanto o rendimento médio foi de 5.201 kg/ha. A área colhida alcançou 2,3 milhões de hectares (0,5% menor). A região Sul foi responsável por 77,9% da produção nacional, ou 9,5 milhões de toneladas, numa área colhida de 1,3 milhão de hectares. Já o rendimento médio foi de 7.342 kg/ha.

    O Rio Grande do Sul, maior produtor nacional em 2014 (67,7%), produziu 8,2 milhões de toneladas, numa área colhida de 1,1 milhão de hectares, com rendimento médio de 7.402 kg/ha. Dos 20 principais municípios produtores de arroz do país, com exceção de Lagoa da Confusão (TO) e Formoso do Araguaia (TO), todos são gaúchos. Os cinco primeiros municípios produtores – Uruguaiana, Itaqui, Santa Vitória do Palmar, Alegrete e São Borja – responderam por 22,1% da produção nacional.

    Produção de café tem queda por causa de problemas climáticos em MG

    A produção brasileira de café, em 2014, foi de 2,8 milhões de toneladas, ou 46,7 milhões de sacas de 60 kg (5,4% menor), tendo a área colhida alcançado 2,0 milhões hectares. Em Minas Gerais, maior produtor do país (48,7%), a produção alcançou 1,4 milhão de toneladas, queda de 14,8% em função de um ano atípico, com ocorrência de elevadas temperaturas e escassez de chuvas, principalmente no sul do estado e na Zona da Mata, tendo afetado as lavouras de café arábica. No Espírito Santo, segundo maior produtor do país (27,6%), a produção alcançou 774,5 mil toneladas, aumento de 10,3% em relação a 2013, com destaque para o café canephora. Em São Paulo, terceiro no ranking (10,3%), foi registrada uma produção de 289,0 mil toneladas, seguido por Bahia, Rondônia e Paraná, que juntos representam 11,5%.

    Patrocínio (MG) é o maior produtor municipal de café, com 63 mil toneladas, sendo seguido por Jaguaré (ES), com 47,3 mil toneladas, e Vila Valério (ES) com 45,1 mil toneladas. Os 20 maiores municípios produtores participaram com 21,2% do total do café.

    Uberaba (MG) ultrapassou Morro Agudo (SP) como maior produtor de cana

    A produção da cana-de-açúcar, em 2014, foi de 737,2 milhões de toneladas, queda de 4,0% em relação ao ano anterior, tendo a área colhida alcançado 10,4 milhões de hectares. São Paulo foi o maior produtor (54,4%), com 401,3 milhões de toneladas. A escassez de chuvas ao longo de 2014 e os preços pouco compensadores, que restringiram os investimentos nas lavouras, foram os principais responsáveis pela queda da produção do estado.

    Minas Gerais foi o segundo produtor do país, com 71,1 milhões de toneladas, seguido por Goiás, com 69,4 milhões de toneladas, Paraná, com 47,9 milhões de toneladas, Mato Grosso do Sul, com 44,0 milhões de toneladas, e Alagoas, com 28,7 milhões de toneladas.

    O maior produtor municipal de cana-de-açúcar foi Uberaba (MG) que, com 6,9 milhões de toneladas, pela primeira vez ultrapassou Morro Agudo (SP), que sofreu com a intensa seca que atingiu o estado, produzindo 6,8 milhões de toneladas. O valor da produção da cana-de-açúcar alcançou R$ 42,2 bilhões em 2014, configurando-se como o segundo principal produto agrícola em importância econômica no país, perdendo apenas para a soja.

    Produção de mandioca aumenta 8,2%

    A produção de mandioca, em 2014, foi de 23,2 milhões de toneladas, com aumento de 8,2% em relação a 2013. A área colhida alcançou 1,6 milhão de hectares, enquanto o rendimento médio ficou em 14,8 mil kg/ha. O aumento da produção deveu-se à recuperação da produção do Nordeste, que nos anos anteriores havia sofrido elevadas perdas em função de estiagens severas.

    O Pará é o maior produtor de mandioca do país, com 4,9 milhões de toneladas, tendo participado com 21,1% do total. O Paraná, segundo em produção, com 4,0 milhões de toneladas, participou com 17,0%, sendo seguido por Bahia (2,1 milhões de toneladas), Maranhão (1,6 milhão de toneladas), São Paulo (1,3 milhão de toneladas) e Acre (1,2 milhão de toneladas). As demais Unidades da Federação produziram 8,1 milhões de toneladas e participaram com 34,7% da produção nacional de mandioca.

    A mandioca é cultivada em todos os estados e, em 2014, foi plantada em 4.523 dos 5.567 municípios. Sua abrangência nacional só perde para a cultura do milho (plantado em 5.165 municípios). Os principais produtores foram Acará (PA), Araruna (PR) e Santarém (PA).

    Sorriso (MT) é o principal produtor de milho (em grão)

    Após recorde em 2013, a produção nacional de milho decresceu 0,5% em 2014, registrando 79,9 milhões de toneladas, com as principais produções em Mato Grosso (-10,5%), Paraná (-8,8%), Minas Gerais (-6,5%) e Rio Grande do Sul (0,6%).

    O município de Sorriso (MT) manteve-se como primeiro colocado no País, embora a produção tenha caído 24,5%, de 2,7 milhões de toneladas para 2,0 milhões de toneladas. Os baixos preços também desestimularam os produtores do Paraná, que reduziram em 430.566 hectares a área em produção, colhendo 15,8 milhões de toneladas. Já em Goiás, a produção cresceu 18,2% e a área também aumentou, de 1,2 milhão para 1,4 milhão de hectares. Jataí foi o principal produtor goiano e o segundo do Brasil, tendo produzido 1,5 milhão de toneladas, 10,6% a mais que na safra anterior.

    Trigo tem queda de 19,6% no rendimento médio

    A produção nacional de trigo, em 2014, foi de 6,3 milhões toneladas (9,1% maior), numa área colhida de 2,8 milhões de hectares (35,8% maior). O rendimento médio caiu 19,6%, chegando a 2.209 kg/ha.

    O Sul, principal produtor do país (91,8%), obteve 5,7 milhões de toneladas, numa área colhida de 2,7 milhões de hectares, maiores, respectivamente, 4,5% e 33,2%, quando comparados aos dados da safra 2013. O rendimento médio de 2.158 kg/ha apresentou decréscimo de 21,6%. O Paraná obteve uma produção de 3,8 milhões de toneladas, 100,8% superior ao ano anterior, numa área colhida de 1,4 milhão de hectares e um rendimento médio de 2.749 kg/ha, já que, diferentemente de 2013, em 2014 as condições climáticas foram favoráveis. Entre os municípios paranaenses, destacaram-se Tibagi (o maior produtor do país), Castro e Luiziana. O oposto ocorreu no Rio Grande do Sul, onde, após uma safra recorde em 2013, em decorrência do clima foram colhidas apenas 1,7 milhão de toneladas (-50,2%).

    Petrolina mantém 1º lugar na fruticultura, apesar da queda no preço da uva

    Em 2014, o valor total da produção das 22 espécies de frutas investigadas cresceu 9,3% em relação a 2013, totalizando R$ 25,4 bilhões. A banana, com participação de 21,8% no total das frutas, e a laranja, com participação de 21,7%, foram as espécies com maior valor da produção nacional. Outras frutas que apresentaram acentuados aumentos no valor da produção foram maçã (36,8%), figo (18,1%), coco-da-baía (17,4%) e limão (17,0%).

    Petrolina (PE), com R$ 470,3 milhões, continua na 1ª colocação no valor da produção frutícola, apesar da redução de 48,8% em relação a 2013, em razão da queda do preço médio da uva, sua principal cultura. O município conta, ainda, com expressivas produções de manga, goiaba, banana e coco-da-baía.

    São Joaquim (SC), segundo colocado, somou R$ 312,4 milhões, com um aumento de 95,3% no valor da produção, resultado influenciado pelo aumento de 42,2% no preço e de 38,9% na produção de maçã. Fonte: IBGE/cenariomt

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